Planejamento Estratégico: a filosofia da adaptação


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Conhecendo um pouco mais dos conceitos acerca da filosofia da satisfação (sobrevivência) no planejamento estratégico, e da otimização (visão mais racional e analítica), a terceira filosofia que estudaremos é a da adaptação.

Com um nome igualmente sugestivo, a filosofia da adaptação no planejamento estratégico pode ser vista como o modo de pensar mais atual das três.


Dentro do pensamento crítico que explora os conceitos da filosofia da adaptação no planejamento podemos considerar o fator inovação como principal diretriz para o seu desenvolvimento.

No entanto, como tudo que carrega o conceito de adaptabilidade tende a caminhar para algo mais dinâmico e mutável, nesse modo de pensar, o planejamento estratégico tem como objetivo direcionar mais esforços e importância aos processos que serão realizados, ao invés de se concentrar no seu desenvolvimento estrutural.

Estamos falando de um modelo de pensamento mais prático e que precisa “deixar acontecer” para validar sua real eficácia. Traduzindo para os tempos de hoje (2023):  é o planejamento baseado no “Só vai: confia.”.

Brincadeiras à parte, a filosofia da adaptação no planejamento estratégico é mais do que necessária em tempos de excessos. Ela pode evitar que o planejador tenha a famosa síndrome do FOMO (Medo de perder algo) e que acabe pecando pelo excesso ao longo do seu desenvolvimento antes mesmo de validar se a estrutura planejada realmente será necessária.

Um adendo importantíssimo:
não é porquê estamos falando sobre um modo de pensar planejamento que seja mais prático, que sua estrutura não precisa ser bem elaborada. Não confunda simplicidade com desleixo. 

Normalmente, desenvolver um planejamento estratégico simples e eficaz tende a ser mais complexo do que se imagina.

Um dos fatores importantes neste pensamento é que a eliminação de fases e processos, especialmente operacionais, pode ser a chave para que essa adaptação ocorra de maneira coesa e organizada, mantendo certo equilíbrio entre o que se espera e o que se planeja. 

Falando em equilíbrio: essa é a palavra-chave e caminho que devine bem o conceito central na filosofia da adaptação.

A filosofia da satisfação busca o equilíbrio no planejamento

Segundo Rebouças (2018, p.12) essa filosofia também pode ser categorizada como um estado de homeostase (do grego: homeo e stais, que significam “o mesmo” e “ficar”).

 “um estado de equilíbrio interno, que se mantém relativamente constante independente das alterações que ocorrem no meio externo.”  

Um conceito comumente aplicado na área das ciências biológicas, mas que faz todo sentido como ponto de observação e definição para a filosofia da adaptação no planejamento.

Em resumo, esse equilíbrio se dá pelo fato de que podemos – e devemos – gerar uma resposta instantânea quando identificarmos que algo não planejado desencadeou algum efeito que quebre a constância desse equilíbrio. 

Não nos convém entrar em detalhes sobre quais estímulos nós poderíamos ter ao longo do processo, pois cada empresa apresentará diversas situações – internas e externas – possíveis de desequilíbrio.

Como mapear as situações identificando ameaças dos ambientes

Uma boa maneira de prever e mapear esses riscos, por exemplo, seria a aplicação do método FOFA (ou SWOT na sigla em inglês), colocando uma lupa nas pesquisas que estiverem relacionadas ao ambiente interno controlável. 

Muitas vezes a resposta aos movimentos externos não controláveis serão resolvidos de dentro pra fora, e acarretarão em trazer decisões tanto operacionais cotidianas, quanto decisões estratégicas de alto risco.

Ainda falaremos mais detalhadamente sobre a importância da utilização correta na aplicação da matriz FOFA. 

No momento, apenas anotem que é um método “obrigatório” em qualquer processo de planejamento estratégico, independente da filosofia identificada nos processos iniciais.

Vamos rever os 5 principais pontos do nosso estudo. Fique a vontade para adicionar outros, ou substituí-los, caso faça mais sentido ao seu contexto. Desde que, claro, esteja dentro do que se propõe ser a filosofia da adaptação.

5 pontos importantes sobre a filosofia da adaptação no planejamento

  1. Mais valor aos processos do que aos planos
  2. Prioriza o equilíbrio entre ambiente externo e interno;;
  3. Mantém decisões constantes e adaptáveis;
  4. Adota movimentos instantâneos em prol desse equilíbrio;
  5. O principal impacto negativo é a ineficiência administrativa;

Estes são os 5 tópicos selecionados como principais e mais importantes, mas, obviamente, poderíamos listar outros.

Contudo, isso não contribuiria muito para nossa compreensão, visto que precisamos, antes de categorizar por importância, entender como identificar: “qual tipo de filosofia meu planejamento terá como referencia.”

A identificação desse pensamento te ajudará a tomar decisões melhores e mais ágeis, permitindo que você aplique uma visão mais sistêmica sobre o contexto planejado.

Como identificar qual filosofia meu planejamento deve seguir?

Depois de conhecermos bem as três principais filosofias do planejamento estratégico, devemos identificar o momento de olhar para esses pensamentos em prol da boa elaboração de um planejamento estratégico, para estarmos aptos a gerar uma documentação coesa e consistente com os objetivos delineados na estratégia.

A resposta é simples: os objetivos definidos inicialmente vão nos dizer qual caminho é o melhor a ser pensado, quanto tempo nos manteremos nesse caminho e como podemos usufruir de maneira estratégica dos pensamento em torno do que mapeamos como ideal.

Por exemplo: mesmo que estejamos planejando para uma grande empresa, pode ser que nosso diagnóstico caminhe para o pensamento da filosofia da satisfação, (sobrevivência) caso seu objetivo primário seja a promoção e venda de produtos/serviços mais imediatos. 

O que é perfeitamente normal em cenários de maior instabilidade econômica e pode ser um “pensamento manobra”. Essa empresa pode não estar correndo o risco de quebrar, como um dos riscos críticos estudados da filosofia da satisfação, no entanto, para que siga com o fluxo de recursos positivos, ações de sobrevivência devem ser consideradas.

Percebem que o exemplo foi sobre uma empresa grande e com uma possível maturidade sobre os processos de planejamento, e não sobre uma empresa pequena que está em fase de aprendizado?

O exemplo foi apenas para que entendamos que nem toda estratégia de sobrevivência vai ser adaptada apenas para empresas pequenas e, muito menos, nem toda empresa pequena vai, obrigatoriamente, adotar o pensamento da filosofia da satisfação. Tudo depende da análise de duas variáveis: contexto e objetivo.

Outro exemplo:  também podemos optar pelo pensamento em torno da filosofia a otimização em casos de objetivos estratégicos a longo prazo.

Mesmo sendo um modo de pensar mais racional e analítico, nada nos impede de termos uma excelente e constante interpretação dos dados coletados para que, mês a mês, as análises levem a empresa a conseguir tangibilizar de maneira mais clara possível o crescimento financeiro. 

Agora você deve estar pensando: mas é claro que toda empresa precisa ter esse controle. Sim, precisa. Mas nem todas têm. Essa é a verdade.

Nosso exemplo foi apenas para mostrar que o modo de pensar mais racional e analítico, apresentado na filosofia da otimização, não deve ser atrelado unicamente a planos de visam o médio/curto prazo.

Esse pensamento pode ser perfeitamente desenvolvido em modelos de longo prazo mais robustos. 

A única ressalva seria que precisaríamos de uma excelente equipe de inteligência de negócios (na sigla em inglês, BI) em sinergia com os processos de comunicação e marketing planejados. Caso contrário, essa amplitude no leque de decisões internas poderia aumentar o nível de ruídos consideravelmente entre os planos táticos e o objetivos estratégicos, acarretando em um excesso de dados confusos e de pouca utilidade para o planejamento.

O Mantra do planejamento estratégico

Repetindo nosso mantra: tudo depende do contexto e da balança entre ele e o objetivo. 

Um outro caso interessante para ilustrar, trazendo agora a filosofia da adaptação, discutida mais a fundo neste conteúdo:  mesmo sendo um modo de pensar que dá mais valor aos processos do que os planos, podemos ter, por exemplo, casos em que os planos de ação podem tomar duas direções: planos específicos para otimização de processos internos, e planos mais simples e objetivos para que essa gestão de processos internos impacte positivamente e traga equilíbrio constante nas ações definidas por cada objetivo. O que misturaria um pouco dos dois pensamentos. 

Você só saberá distinguir essas fases se tiver maturidade e conhecimento sobre o assunto. Caso contrário, seria um jogo de sorte. Contudo, planejamento, por mais que conte com o estado entrópico do ambiente externo como vetor de adaptação, precisa conseguir saber jogar com a sorte de maneira estratégica.

Reparem que estou dando exemplos não tão óbvios, e misturando as linhas de pensamento, exatamente para afirmar que o modo como nós pensamos planejamento deve estar, em primeiro lugar, em completa sinergia com os objetivos da empresa e o contexto realizado no diagnóstico (assunto para um próximo conteúdo) e, principalmente, com ao nosso repertório e experiência. Em resumo: com as porradas que a gente toma do mercado no caminho entre aprender e aplicar.  

Conclusão e importância do conteúdo:

Encerramos hoje a parte que explica as três principais filosofias do planejamento estratégico.

É importante que você entenda que por mais teórica que seja toda essa abordagem, ela vai aperfeiçoar muito a sua capacidade de compreensão em momentos importantes no desenvolvimento do seu planejamento. 

O que difere um bom planejador, do planejador completamente operacional, é exatamente o conjunto de ferramentas intelectuais que ele têm na sua caixa de ferramentas que o permite tomar boas decisões estratégicas. Sendo também um fator crucial conhecer a visão teórica de grandes pensadores da comunicação e do marketing.

No conteúdo da próxima semana, continuaremos trilhando os aspectos introdutórios do planejamento estratégico, trazendo os tipos e níveis de planejamento. Tema menos complexo, no entanto, chave-mestra da visão de tudo que permeia a disciplina planejamento estratégico. 

Se você leu até aqui: parabéns e obrigado pelo seu tempo.
Até o conteúdo da semana que vem.


Ponto importante sobre essa série de conteúdos: ela será revisada com frequência para que possamos, sempre que houver necessidade, melhorar ainda mais nossa compreensão, ou para realizar adaptações mais coerentes com os tempos atuais. Sempre que houver alguma atualização avisaremos em nossas redes sociais.

Um comentário em “Planejamento Estratégico: a filosofia da adaptação

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