Introdução à Análise de Ambientes no Planejamento Estratégico

Análise de ambientes no Planejamento Estratégico

Uma boa e importante parte no processo de investigação inicial para a implementação de um diagnóstico no planejamento estratégico já foi abordada. Filosofias, princípios, forças e fraquezas, ameaças e oportunidades. Conceitos fundamentais para qualquer profissional de planejamento estratégico.

Conceitos teóricos e básicos que vão enriquecer o seu repertório profissional, permitindo que, em cada nova experiência profissional, você saiba tomar decisões mais coesas com os desafios que enfrentará.

Com esse repertório, adquirimos o embasamento e temos algumas ferramentas em mãos, certo? Agora é hora de caminharmos para o entendimento do ambiente em que seremos responsáveis por usar todo esse escopo. Ou melhor, usar parte necessária dos fundamentos, seguindo a lógica central de um bom planejamento: o contexto ao qual você está sendo desafiado a interagir para resolver os problemas e desenvolver soluções estratégicas para a uma boa gestão de resultados. Sejam eles internos ou externos.

Análise de ambiente: Percepção, experiência e criatividade

A primeira sugestão de pensamento sobre o ambiente empresarial é básica, fundamental e nem tão formal. Segundo a literatura científica sobre o tema, podemos considerar que existem dois tipos de ambiente, sendo estes dois tipos divididos entre internos e externos à empresa. Uma ótica simplista, porém válida para início de conversa. Partindo dessa premissa, vamos conhecer as vantagens de se realizar uma boa análise sobre os ambientes. 

Uma analogia bastante usada para facilitar a compreensão da análise de ambiente em um planejamento é a fotografia. Quando você fotografa algo, tem algum motivo. Quer registrar um local, um momento, uma situação curiosa e etc. Profissionais ou entusiastas da fotografia usam o termo motivo. O motivo de uma fotografia é o assunto principal, que podem ser desde muitos simplistas, até motivos complexos e conceituais –  sobre o assunto que você está querendo registrar. Junto a esse motivo, existe também a percepção, a experiência de campo, os elementos registrados, enquadramento e a criatividade do fotógrafo. Atributos fundamentas para que cada fotografia seja única e transmita o objetivo com clareza. 

Percepção, experiência e criatividade, inclusive, são atributos que todo planejador precisa desenvolver. Por mais subjetivo que pareça ser – e em alguns momentos será – a análise de ambientes é a sua capacidade de fotografar o ambiente empresarial e, dessas imagens, extrair o máximo de clareza que puder. Das situações mais simples até as mais complexas.]

A coleção de fotografias que você registrar no processo de análise e ambiente será a galeria que ficará exposta para todos os envolvidos. E por mais que cada um dos envolvidos tenha uma maneira de interpretar os seus registros, o objetivo – ou motivo – precisa ser claro à todos. Essa clareza trará mais agilidade e segurança nos processos decisórios que virão. 

Um adendo importante, a subjetividade sempre fará parte de qualquer disciplina que tem como força motriz o comportamento humano. No entanto, hoje, vivemos em uma época privilegiada e com tecnologia suficiente para que as decisões subjetivas sejam filtradas e avaliadas por dados.

Simplificando ainda mais: por informação. Dados, nada mais são do um conjunto de informações disponíveis. Sejam essas informações extraídas por ferramentas online ou por sistemas internos.

Uma gestão direcionada por dados (data driven) tende a ter o processo decisório cotidiano mais seguro e estratégico do que empresas atuam de maneira mais conservadora.

Reparem que eu usei o termo “tende”, pois boa parte dos processos decisórios, mesmo que avaliados por dados, devem ser minuciosamente interpretados por outras óticas. Especialmente quando estamos falando de ambiente externo, que muitas vezes a empresa não tem tanta – ou nenhuma – influência sobre os movimentos que poderão ser feitos. 

Entretanto, sabemos que nem sempre, ou boa parte das vezes, não teremos como escolher o nível de maturidade sobre a cultura de dados em que a empresa está inserida. Claro que, entendendo essa importância, o profissional de planejamento também pode ser responsável por iniciar esse processo. Empresas conservadoras, no Brasil, são a maioria. Especialmente se estivermos falando de pequenas e médias, parte da realidade cotidiana de muitos profissionais brasileiros. 

Como não vamos nos aprofundar nesse assunto agora, pois trata-se de um momento pós-diagnóstico e análise de ambiente externo, recomendo de ante mão que se atentem a isso: uma empresa direcionada a dados é uma empresa que terá mais clareza nos seus processos decisórios e, por consequência, isso se tornará um diferencial competitivo perante a concorrência. Pois sabemos bem que, como já citado, a cultura da incerteza tradicionalista ainda é a maioria entre o empresariado pequeno e médio brasileiro quando o assunto é cultura digital e dados. 

Antes de nos aprofundarmos nos dois principais tipos de ambiente e suas características, gostaria de sugerir algumas questões para que você, leitor, reflita:

Questões para refletir:

1 – O quanto você entende do negócio do seu cliente? Sem entender bem sobre o mercado do seu cliente, dados não servirão de muita coisa.

2 – Que tipo de informação (dados) você se dedicará a extrair do seu cliente enquanto consultor em planejamento? Tente neste momento reduzir aas questões e direcioná-las aos problemas de curto prazo. 

3 – Como você registrará o progresso da análise de ambiente no seu planejamento? Defina uma estrutura simples e que possar ser editada ao longo do processo. Pois você, sem dúvidas, revisará esse registro com frequência.

4 – Quem serão as peças-chave no seu processo de análise de ambiente. Ter acesso a gestores decisores será fundamental para que sua análise de ambiente não seja completamente subjetiva. 

5 –  Tenha aliados de outras áreas no seu time durante esse processo. Você não entenderá de muitas das áreas em que investigará. Um bom profissional de administração, um bom gestor de mídia, um bom analista de BI e etc. Mesmo que você tenha experiência em uma ou mais áreas, tentar fazer tudo sozinho pode ser um grande erro. 

Essas são apenas algumas ideias para você refletir. Responder essas perguntas pode abrir um universo de possibilidades. No entanto, busque sempre respostas objetivas para que o perfeccionismo não tome conta da sua rotina. Perfeccionismo e agilidade não combinam e respondendo perguntas-chave você conseguirá aliar a agilidade com decisões inteligentes.

Espero que você tenha aproveitado ao máximo essa breve apresentação sobre o início do processo de análise de ambiente. Ressalto, novamente, que estamos prestes a entrar em um dos assunto mais complexos, importantes e, infelizmente, negligenciados nos diagnósticos de planejamento estratégico.

Estamos entrando em um campo contextual e que exigirá maturidade para entender que é uma área em que você vai se deparar com vários níveis de gestores e interpretações sobre como lidar com a interação ambiente, planejamento e pessoas. 

No próximo conteúdo falaremos dos dois principais tipos de ambiente: o ambiente contextual ou macroambiente e do relacional ou microambiente.

Se você leu até aqui, obrigado pelo seu tempo e até o próximo conteúdo.

Um comentário em “Introdução à Análise de Ambientes no Planejamento Estratégico

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